perjantai, heinäkuu 10, 2009

PÓS-PRODUÇÃO
Eu, Marcelo, Bianca, Nicolas, Fábia, Alê.


Gravação nesta sexta do video-release do livro novo. Posto o resultado em breve...

torstai, heinäkuu 09, 2009

A VOLTA DOS VELHOS ANDRÓGINOS




Ok, escutei o novo do Placebo, Battle for the Sun. Meu veredito: um dos melhores álbuns do Placebo. Não que seja GRANDE coisa, não vai muito alto na minha lista de melhores do ano. Eles fizeram (bem feito) a mesma coisa de sempre; as faixas deste álbum podiam estar espalhadas por todos os outros álbuns da banda, mas são faixas bacaninhas.

O maior mérito do Placebo, pra mim, sempre foi trazer certo lirismo num som extremamente pesado e minimalista. E este álbum ressalta isso. Não há nada muito irritante ou entediante (ao contrário do cd anterior, Meds, que eu acho um pooooorre – só salvo “Post Blue” e a faixa título). Todas as faixas de Battle for the Sun são animadinhas, boas para se ouvir correndo na esteira (onde mais escuto Placebo).

O álbum começa muito bem com as guitarras emendadas de “Kitty Litter” e “Ashtray Heart”, pesado, mas mais lento do que o álbum anterior. A faixa título, “Battle for the Sun”, é minha favorita -robótica e repetitiva, começa lenta e vai acelerando com paredes de guitarras. Dá um ótimo single. “Bright Light” é outro destaque, mais fofinha, lembra coisas de Black Market Music como “Black Eye” ou “Slave to the Wage”. Da metade pra final, o álbum vai ficando mais chato, talvez seja o efeito cumulativo da voz do Sr. Molko, que cansa, ou talvez seja porque as faixas são muito parecidas entre si, mas a última faixa, “Kings of Medicine” é bem bonitinha, com orquestra e tal, lembra... THE CALLING (“Wherever You Will Go”, diz aí?).

E é isso, não há muito mais a dizer porque não há novidade nenhuma. Acho que um dos maiores desafios de um artista é evoluir, mantendo uma identidade, sua marca registrada. Placebo não evolui. Mas também não retrocede... e mantém a marca.

Confesso que eu era bem mais fã (ok, um pouco mais fã) antes de vê-los ao vivo na turnê de 2005, aqui no Brasil. Eu estava lançando livro e minha “turnê” acabou coincidindo com a deles – vi Placebo em Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo. Os três shows foram idênticos, no piloto automático, totalmente pau mole, coisa imperdoável para uma banda de rock pesado que, no mínimo, devia ter uma atitude punk rock. Até os diálogos de Brian Molko com a platéia se repetiam. Depois disso, brochei.


Mudando de tom, comprei a coletânea da Annie Lennox. Sou fanático por Annie Lennox desde piá. Quando estudei na Inglaterra, em 94, voltei com horrores de CDs, singles e livros de Annie Lennox e Eurythmics na mala. Mas é verdade que de uns (bons) anos pra cá ela virou mãe de família, inclusive musicalmente, e lançava hits para consultório de dentista.

Sua Collection não desmente isso. Cobre toda a carreira solo dela, com hits como “Why”, “Walking on Broken Glass” e “No More I Love Yous”, que são gostosos e não ofendem ninguém. Há também falsos hits, (“incentivados” pela gravadora, mas que não tiveram realmente repercussão) como “Dark Road”, “Pavement Cracks” e (a vergonhosa) “Sing”- uma espécie de “We Are the World” de La Lennoxa, com várias mulheres cantando para salvar a África de Aids. A música é ruim de doer e nem é catchy; por que para salvar as criancinhas é preciso matar a fera criativa? Fora que o coro de estrelas (Dido, Shakira, Beth Gibbons, Fergie, etc) foi colocado bem no background, só se ouve Annie Lennox de fato e, num determinado verso... Madonna. Pffffff...

Como de costume nessas coletâneas, há duas músicas novas. Uma delas nem merece comentários, a outra é um cover de “Shining Light”, do Ash, que eu já coloquei aqui há alguns meses e que é bem bacaninha.

A edição que eu comprei ainda vem com um DVD dos clipes. Não são uns putas clipes, mas têm uma bela fotografia, e sempre é bom ver tia Lennox, a Marília Gabriela de Aberdeen, em ação.

Enfim, um bom CD para tocar nos alto-falantes do supermercado.

Ah... Nossos ídolos estão ficando velhos...


"Já fui cool, ok?"

Para quem não conhece ou não bota fé na Lennoxa, recomendo os três primeiros álbuns do Eurythmics, sua banda nos anos 80: In The Garden, Sweet Dreams e Touch, que são GENIAIS - essa é a Annie Lennox que eu conheço - soam lindamente datados hoje em dia. Uma coletânea do Eurythmics também dá conta do recado.

Olha, pra você ver que Annie Lennox é (ou foi) bacana:

maanantai, heinäkuu 06, 2009

LITERATURA PARA MACHO








Ano passado fui praticamente soterrado por livros a avaliar. Houve meses em que passei literalmente na cama, só lendo e escrevendo pareceres de livros para editoras. Grande parte do que li já deletei do meu HD mental, mas ao menos estão salvos (com sinopse, avaliação e recomendações) aqui no meu computador.



Um dos livros mais divertidos que avaliei foi Drink, Play, Fuck, do americano Andrew Gottlieb, que agora é lançado no Brasil pela Planeta.



É uma sátira do (bestseller de mulherzinha) "Comer, Rezar, Amar", por um ponto de vista masculino, uma coisa meio "Homer Simpson de ser". Conta a história de um publicitário que é chifrado pela esposa e resolve tirar um ano de férias, para ficar gastando suas economias em prazeres típicos de macho: Beber na Irlanda, jogar em Las Vegas e trepar na Tailândia.



É ficção. Mas dá vontade (para não dizer "inveja"). É daqueles livros com que todo homem (independentemente da sexualidade) pode se identificar, e que talvez algumas mulheres achem charmoso. E já foi comprado por Hollywood para virar filme.

Só não entendi o título em português "Beber, Jogar, F@#*r" - primeiro porque não vejo necessidade da "censura" (ainda que haja no título original em inglês; e entendo menos ainda aqueles filmes em que o ator fala "fuck you" e se traduz "vai se ferrar"; se Hollywood permitiu "fuck", por que por aqui tem de ser abrandado?), depois porque seria mais adequado sonoramente se chamar "Beber, Jogar, Trepar" ou "Beber, Jogar, Transar".

Anyway...

Ainda falando em literatura de macho, esses dias li em duas sentadas (ops!) o premiadíssimo do Cristovão Tezza, Filho Eterno. Já estava preparado para não gostar (principalmente por ter sido tão aclamado), mas gostei bem. É um relato autobiográfico da relação dele com o filho portador de síndrome de down, desde o nascimento até a "maturidade". Dolorosamente sincero, ele inicialmente apenas torce pela morte do filho, mas acaba sendo tomado e cativado pela criança. Esse amaciamento de sentimentos é obviamente esperado (para não dizer "previsível") pelo leitor, mas a maestria do livro se dá em como isso é conduzido sutilmente, subliminarmente, passando longe de um conto piegas de "criança deficiente conquista homem durão". Bem bom.


Em 2007 tive uma mesa com Cristovão Tezza na Bienal do Rio. Não lembro de nada do que ele disse, nada do que eu disse - ainda bem, porque acho que eu só disse merda... Mas também... que idéia esse povo tem de colocar numa mesma mesa eu, Tezza e o... Kledir Ramil (isso, do Clayton e Kledir), o que o curry tem a ver com a feijoada?

sunnuntai, heinäkuu 05, 2009

PALHAÇA MATADORA



Uma palhaça assassina que responde ao julgamento do público com tesouradas. Esse é o mote do espetáculo "Sobre Tomates, Tamancos e Tesouras", em cartaz de quinta a domingo, no Sesi Vila Leopoldina, até 26 de julho.

É um monológo delirante, ácido e tragicômico, levando as complicações do clown (ou "um palhaço para adultos") para o universo dos filmes noir dos anos 40. Bem divertido, sem ser tolo nem exatamente perturbador.

A palhaça é Andréa Macera, e a direção é de Rhena de Faria, que por acaso.... é minha irmã (número 3; sim, o "de Faria" é sobrenome do meu pai).

(Ah, sim, e não se preocupe, não é daquelas peças interativas que puxam gente da platéia. Tenho pavoooooooor disso...)

Serviço: "Sobre Tomates, Tamancos e Tesouras - Sesi Vila Leopoldina. Quinta e sábados: 20h. Sextas: 15h e 20h. Domingos: 18h. Até 26 de julho. Entrada gratuita e censura 14 anos (não leve bufanofóbicos, nem sua filha de colo).

perjantai, heinäkuu 03, 2009

DIÁRIO DE UM PORNOSTAR



"Dois dias depois voltamos para gravar a cena de sexo. Fui conversar com o diretor sobre qual era a intenção dele nesse filme; ele foi novamente bem grosseiro: “I don´t give a f*ck!” Meu tesão era zero. Eu não queria estar lá, ninguem falava inglês direito, eram poucos gays na produção; de gays só eu e outro ator, entre oito modelos. O cenário não poderia ser pior."

Bem interessante o blog de Andy O'Neill, brasileiro que se mudou para Londres e se tornou ator pornô por lá. Andy não é apenas assumidamente gay (e passivo), como também assume sua carreira e expõe os percalços e bastidores dela de forma muito sincera e inteligente - apresentando tanto o lado profissional quanto o lado safado do meio. Bem bacana saber que tem gente nesse meio que pensa, e saber o que pensa.

Fora que ele vai contra o padrão físico da grande maioria de atores pornôs (que eu acho brochante) de über machos bombados. Faz um estilinho "boy next door". É moço pra casar (embora eu desconfie um pouco do tom às vezes excessivamente "bom moço" do pitéu).

Acho o meio pornô conceitualmente muito rico, embora na prática acabe se limitando a uma ejaculação precoce. Até o próprio termo "pornostar" e o lado glamuroso e kinky da coisa deve estar se esvaziando cada vez mais, agora que as produções todas são dominadas pela internet, consome-se cenas picotadas e essas produções se distanciam cada vez mais do conceito de "cinema".

Eu me pergunto se ainda se produzem longa metragens pornôs em película. Queria tanto ver o Andy num desses cinemões da Praça da República...

Endereço do blog dele aqui: http://andyoneil.zip.net/

keskiviikko, heinäkuu 01, 2009

(RE)COMEÇANDO


Sorry, com a proximidade do lançamento, acho que vou ficar meio monotemático...

Vai aí o começo do começo:


O menino emergiu do quarto como um inseto envenenado.
Segurando-se nos móveis, nas paredes, apoiando-se no batente,
chegou até a sala tentando reconhecer o tempo e o espaço em
que caminhava, desequilibrava. O prédio estava inclinado. Mas
a isso ele já estava acostumado. O problema era o horário em
que dormira, o horário em que acordara, com uma luz indecisa
alaranjando a janela. Final da tarde ou começo do dia? Sempre
era difícil se situar, quando dormia fora do horário...

O prédio estava inclinado. Mas a isso ele já estava acostumado.
O problema era o horário em que dormira, o horário
em que acordara, fora de hora. Isso acontecia cada vez com
mais frequência, agora que ele não tinha aulas. O menino ficava
em casa, jogado pelos cantos, escorando-se na cama, deixando
o cabelo crescer. Crescia além de sua masculinidade, cada
vez mais branca, cada vez mais magra. Com uma compleição
tão delicada que — aliada a seu longo cabelo escuro — os
amigos não podiam evitar chamá-lo de andrógino. Ele não se
importava.

Sentou-se diante da escrivaninha, na sala, e ligou o computador.
A lógica e os sentidos inicializavam-se também em sua
mente. Sim, final de tarde, percebia. Ouvia o Gordo rolando
no apartamento de cima. O prédio estalando com aqueles que
voltavam para casa, aqueles que conseguiam. Via refletidas na
tela do monitor as ondas do mar lá fora. Mar negro, manchado
de piche, por anos e anos de acidentes e descasos. O menino
não se importava. Não consumia petróleo. Não mergulhava
no mar, não manchava sua brancura no sol, no piche, no óleo
derramado. Ia do quarto ao computador, do computador ao
quarto. Na escrivaninha da sala, encontrava algumas notas
que sua mãe deixara — para pedir uma pizza. Ele pedia meia
catupiry, meia champignon — e comia só metade. O Gordo
sempre tocava a campainha para comer o resto. O Andrógino
não se importava.

Abriu sua caixa postal, viu seus e-mails e começou a me
responder. Logo ouviu a batida na porta, a maçaneta virando
e o Gordo entrando no apartamento destrancado. “Oi, o que
está fazendo? Pediu pizza? Posso comer com você?”

O Andrógino balançou a cabeça em negativa — negativa
que o Gordo poderia usar para responder a quaisquer das perguntas
que formulara — em seguida apontou para o telefone,
sem desviar os olhos da tela, e o Gordo foi rolando fazer o pedido.
Tinha de tomar cuidado, pela inclinação do prédio, por
suas formas arredondadas, poderia ser ejetado ao menor deslize.
Não seria um acidente fatal, claro — os próprios suicidas
já haviam desistido de se jogar daquele prédio; para conseguir
afundar no mar teriam de ter os bolsos pesados, uma mochila
nas costas, e só aqueles sem nada a carregar é que desejam a
morte —, mas o Gordo também não queria se manchar de
óleo, (por tantos acidentes e acasos), não queria ser jogado
como uma bexiga cheia d’água no mar. Segurou-se firme nos
móveis, com os dedos amanteigados, até deixar-se cair ao lado
do telefone, no sofá.

“Vou pedir meia catupiry, meia champignon, pode ser?
Vou pedir meio a meio, não é assim que você gosta?” O Gordo
perguntava ao Andrógino, já com o telefone na orelha, soprando
a ele seu hálito lácteo de gato, de quem acabou de comer
chocolate. O Andrógino não se importava. Continuou me dedicando
bits e bytes, por trás das ondas refletidas na tela.


O prédio era inclinado. Era por isso que os meninos ficavam
tanto tempo sozinhos, pediam tanta pizza e não esperavam
seus pais para jantar. Muitos dos pais haviam saído para
trabalhar e nunca mais voltaram. “Está chovendo. Está trânsito.
Estou cansada demais pra tentar entrar aí. Vou dormir
no trabalho. Num flat. Na casa da vó. Volto pra casa no final
de semana. No próximo feriado, quem sabe. No Dia dos Namorados...”
Porque para entrar novamente no prédio era um
sufoco. Porque o prédio, de tão inclinado, perdera sua porta de
entrada. Para os meninos era relativamente fácil, conseguiam
entrar nele como se subissem numa árvore, numa casa da árvore,
num prédio inclinado. Mas os pais, com seus ternos e suas
pastas, laptops e salto alto, tinham mais dificuldade de voltar.
Desistiam. Diziam para os filhos pedirem uma pizza.

Dentro do prédio, a ordem não era ditada nem mesmo
por um zelador zeloso. Seu Antônio havia muito não era visto,
trancado dentro do apartamento. Com a inclinação do prédio,
as fundações comprometidas, sua porta havia sido obstruída e
ele não pôde mais exercer seu ofício. Já não havia mais regras
nem reguladores no edifício.

E sem pais e sem adultos, sem regras e sem compromissos,
o que delimitava as fronteiras dos meninos? Escola? Não,
nem isso lhes cerceava. Alguns meses antes, os professores tinham
entrado em greve. Não era uma questão financeira, era
uma questão de orgulho. Não podiam receber menos do que
os pais de seus alunos, porque assim se sentiriam empregados
das crianças. Não podiam conversar com mães com as quais jamais
poderiam se casar e ter filhos, porque considerariam seus
próprios filhos inferiores. Então, como uma forma de mostrar
seu poder, resolveram entrar em greve, geral, perpétua, perene,
permanente, até resolverem seus próprios dilemas e incoerências.
Muitos inclusive entraram em greve apenas para poder aumentar
a frequência das visitas ao analista. “Doutor, como eu
poderia educar crianças que são ricas demais para serem meus
filhos? Como posso acompanhar o valor de mães que jamais
teriam a mim como marido?” São justificativas desprezíveis, eu
sei, mas não tenho culpa, não fui eu quem entrou em greve.

O Governo riu, mastigando pernil. “Haha, então vamos
ver quem é mais forte. Deixem que façam greve. Não vamos
nos preocupar com isso...”

Aproveitaram a greve para fazer reformas na escola. Na verdade,
para fingir que faziam reforma. Faziam, mas fingiam.
Derrubavam uma parede, para construí-la novamente. “Precisamos
movimentar a construção civil, não é? Sabe quantos
novos empregos essa greve gerou?” Então, os trabalhadores
braçais pressionavam o governo para que as reformas continuassem.
Os professores continuavam com o orgulho ferido,
por sua greve não ter sido respeitada. As crianças se arrastavam
durante os dias. E os pais... os pais no fundo agradeciam por
não gastar mais com material escolar.

“Aproveite essas férias para ler um dicionário, hein?” “Tem
programas bem educativos na TV.” “Se você assistir aos canais
certos, nem vai sentir falta das aulas.” Eles se convenciam, já
que os filhos não precisavam ser convencidos. E assim iam trabalhar;
as crianças ficavam em casa, saíam para a praia, andavam
pelas ruas, e deixavam os adultos sem filhos com medo do
que poderiam aprontar.

(Este é o começo do primeiro capítulo - que tem 15 páginas, então não tem como postar inteiro aqui - só um aperitivo. O banquete fica pra dia 4 de agosto, no Volt.)

lauantai, kesäkuu 27, 2009

AQUECENDO OS TAMBORINS

Nicole, minha querida agente, em café da manhã aqui em casa.

Fase de intensas resoluções, entrevistas e muito trabalho. Está semana consegui dormir umas 4 horas por noite. Fecho os trabalhos lá pelas 2 da manhã, daí tenho de me deitar com um calhamaço de originais para avaliar, o que acaba me fazendo dormir às seis. No dia seguinte, tenho de acordar num horário razoável - que acaba sendo 10, 11 horas da manhã - para escrever pareceres pra editoras ou pequenas matérias pra jornal, antes de me afundar novamente em traduções... A questão é que também sou obcecado com prazos. Nunca atraso. Pena que as datas de pagamento das editoras nunca tenham o mesmo comprometimento...

Mas não posso reclamar. Quem vive de freelas tem de agradecer quando algum cliente chama (o problema é quando TODOS chamam ao mesmo tempo). E, de qualquer forma, não tenho de agüentar chefe, não tenho de enfrentar trânsito para ir ao trabalho, gosto do que faço e está tudo relacionado à literatura, o que me acaba fortalecendo como escritor.

Falando em fortalecimento... Minha noite de autógrafos aqui em SP ESTÁ MARCADA. Anota já aí:

4 de agosto (terça), à partir das 20h no VOLT, um bar na Haddock Lobo esquina com a Fernando de Albuquerque (aqui no baixo augusta).

Está sendo um sufoco atualizar meu mailing de endereços físicos. Imagine, mandar email para 400, 600 pessoas, pedir endereço (daí o povo manda sem CEP, você mesmo tem de procurar, tem de responder como chega, até que horas vai, quanto custa o livro...). Os 600 emails vão se desdobrando em 1200...1800...

Então me ajude, meu amor. Me mande seu endereço completinho com CEP (pro email lá de cima). Avise o pessoal aí do gueto. Traga a família. Tente marcar na agenda para não esquecer, embora eu saiba que, apesar do convite físico, eu vou ter de mandar outro email mais perto para lembrar...

Uff... Mas faz parte.

Acho tão tenso fazer lançamento... Acho tenso fazer qualquer evento, na verdade, até festa de aniversário. Sempre acho que o pessoal nunca quer ir... E tem tanta gente que manda convite TODA SEMANA de festinha, de clube onde discoteca, de jantarzinho em casa. Eu não gosto. Eu não mando. Eu tento concentrar ao máximo para só convidar mesmo pra lançamento de livro (o último foi há 3 anos, ok?). E não mando spam. Não mando email coletivo. Estou (tentando) mandar emails personalizados. É todo um trabalho...

Uff... Mas lá vou eu de novo me queixando.

Lançamento de livro geralmente é um evento chato, né? Eu acho. Mas é importante para dar o start na divulgação, e prorrogar o suicídio nos fazendo sentir amados por leitores e amigos. Por isso tento atrair um pessoalzinho bacana, e estou fazendo num barzinho gostoso, onde você pode ir e fingir que nem é meu lançamento, pode sentar pra beber, comer, paquerar. Meus amigos são todos bonitinhos, ok?

Então anote aí (de novo):

4 de agosto (terça), à partir das 20h no VOLT, um bar na Haddock Lobo esquina com a Fernando de Albuquerque (aqui no baixo augusta).

Todo mundo pode ir, claro. É só entrar. Não tem consumação e vai ter algum esqueminha tipo "compre o livro e ganhe um drinque", ainda estamos organizando, pode deixar.

ANTES da noite de autógrafo já está marcado uma mesa minha no Fantasticon - uma espécie de feira de literatura fantástica, quadrinhos e etc, aqui em SP - dia 25 de julho (sábado), às 16h. TALVEZ haja um pré-lançamento do livro lá (com autógrafos), mas ainda não sei se o livro já terá saído da gráfica.

Pra esse evento eu não mando convite não, ok? Mas aviso de novo, aqui no blog, mais perto da data.

E no dia seguinte, 26 de julho, parto para Lima, no Peru, para uma mesa na Feira do Livro de lá. Volto às véspera do meu lançamento aqui.

Ah, não dá para dizer que é vida dura, né?

perjantai, kesäkuu 26, 2009

MINHA VIDA COM MICHAEL JACKSON

“Ele era andrógino, mutante e comia criancinhas... Precisava de mais alguma coisa para se tornar um ídolo entre nós?”

Saí de casa para a academia nesta quinta, às 10 para as 19h, com a bateria do celular levemente descarregada. Logo recebo uma enxurrada de telefonemas, mensagens de texto, gente querendo me consolar, me dar os pêsames ou me avisar cautelosamente que “MJ subiu no telhado...”

Cheguei na academia já com o celular sem bateria.

Sou fã. Era fã. Desde pequeno. Quando eu era bem pequeno, teve aquela febre do Thriller; meu irmão mais velho - que ainda dividia quarto comigo - enchia o quarto com pôsteres dele, tentava fazer o moonwalk, foi uma espécie de lavagem cerebral. Eu gostava. Mas logo meu irmão trocou pelos pôsteres do Iron Maiden...

E quanto mais branco e mais bizarro o Michael foi ficando, mais eu fui gostando. Verdade que o último álbum dele, Invincible, é bem meia-boca. Mas eu até que curto as coisas ultra-cheesy, tipo “Speechless” (baixe essa, do último álbum, é constrangedora de tão ruim... que fica ótima).

Gosto do Michael Jackson percussivo, das músicas em que a voz dele é menos melódica e mais um instrumento de percussão. Ninguém fazia isso como ele.

Meu álbum favorito é Dangerous, talvez porque é do início da minha adolescência, quando comecei a ter meus próprios discos (foi o primeiro CD que comprei), e porque foi da turnê em que ele veio ao Brasil, e que eu fui ao show. Cheguei até a ir ao show da irmã dele (A LA TOYA, ok? A irmã do mal...).

A primeira vez que ejaculei foi vendo o clipe de “Remember the Time”....

Hahah. Tá. Mentira.

(Mas ele até que está bonitinho no clipe, né? Eu sempre gostei desses meninos/meninas. E acho que MJ foi mesmo minha primeira referência de androginia.)



Pena que no final tenha sobrado só isso, ficado só na bizarrice. O erro de Michael Jackson foi querer ser tão bonzinho. O erro do Michael Jackson foi querer sem bom demais. Ficava naquele papinho de "vamos salvar o mundo, as criancinhas e as borboletas", que não pega muito bem para um artista de verdade... E não pega muito bem para um negão de cinquenta anos de idade... E toda essa megalomania de querer ser sempre o melhor do mundo, o maior, aquelas gravações faraônicas de discos que nunca ficavam prontos...

O erro do Michael foi não admitir poder errar.


Mas enfim, isto deveria ser uma homenagem. Talvez agora, ao menos, possamos ouvir tantas coisas gravadas que nunca foram lançadas. Talvez a morte de Michael Jackson tenha sido a melhor saída para que sua carreira não fosse enterrada de vez.

Vou pegar os DVDs dele (sim, tenho cinco), os CDs (sim, tenho todos) e reviver...


Longa vida ao rei.


Minhas 10 músicas favoritas do Jacko Wacko:

- Beat it

- Billie Jean

- PYT

- Jam

- Remember the Time

- Cant Let Her Get Away

- They Don't Care About Us

- Morphine

- Heartbreaker

- Speechless


tiistai, kesäkuu 23, 2009

TOMATE MARAVILHA

Arnaldo "Loki" Baptista.

Emocionante o documentário Loki, de Paulo Henrique Fontenelle, sobre vida e obra do mutante Arnaldo Baptista. Um panorama bem completo de toda a trajetória dele, da infância até a recente volta dos Mutantes, com depoimentos, fotos e imagens de arquivo. É para a gente se remoer com a limitação das possibilidades oferecidas aos artistas no Brasil, e as injustiças da vida em geral. Mas o filme entrega um final rendentor. E desde que saí do cinema estou ressuscitando meus cds dos Mutantes e os solos do Arnaldo, que adooooooro.

Só vejo um porém no filme: é excessivamente tendencioso e exaltador com o biografado. Rita Lee não participa, se recusa a falar sobre ele - e faz falta (até porque provavelmente ela deve ter uma visão não tão idealizadamente inocente de Arnaldo). Também pouco é dito sobre a importância de Sergio Dias no grupo. Mas a visão parcial oferecida no filme é boa o suficiente.

Agora estou ouvindo o DVD "Mutantes Live in Barbican", de 2006. Cheguei a ver os Mutantes ao vivo, ano passado, e gostei bastante. Mas ainda não tinha visto o DVD. Comprei hoje. Ótimo também. Fica claro que, pelo menos hoje em dia, a banda é Sergio Dias. Brilhante como cantor e guitarrista.

sunnuntai, kesäkuu 21, 2009

ENTREVISTA

Saiu neste final de semana entrevista bem bacana que dei para Kátia Borges, do suplemento "Muito" do jornal "A Tarde", de Salvador.

Íntegra abaixo:

- Quando sai seu novo livro "O prédio, o tédio e o menino cego"? Mesmo para um autor reconhecido é complicado editar?

Sai em julho. Agora sai mesmo. Estamos vendo as provas. É complicado publicar porque o mercado literário brasileiro movimenta pouco dinheiro, principalmente em literatura contemporânea. Então há uma atitude de certo desdém dos editores. Mesmo autores reconhecidos (pela crítica), premiados, muitas vezes não conseguem editora, porque não vendem. As editoras publicam esses autores eventualmente, como forma de prestigio, de penetração na mídia, mas ganham dinheiro mesmo com auto-ajuda, com os bestsellers. Meus livros vendem razoavelmente bem. Mastigando Humanos, por exemplo, vendeu 15 mil exemplares, entrou na segunda edição menos de seis meses depois de publicado, posteriormente foi comprado pelo governo para o ensino médio. Mas 15 mil exemplares só é muita coisa quando se fala de literatura, se projetar esse número no mercado fonográfico, mesmo nesta era de pirataria, ou no segmento de auto-ajuda, não é nada. Eu também não sou um autor "de respeito", um "acadêmico", tenho um pé de cada lado. Tenho certo prestígio com a crítica e certa aura pop, mas tudo de forma moderada. É difícil.


- Como foi lidar com tantos personagens (você disse em seu blog que são sete protagonistas, todos meninos)?

Foi como administrar uma creche. Claro que eu tinha meus favoritos, então me peguei várias vezes achando que eu estava favorecendo (literariamente) mais um do que outro. Eu compunha muito bem o Andrógino – que é uma espécie de emo/gótico bem próximo do que eu fui na adolescência – e via que estava deixando de lado o Atleta, ou o Negro. Alguns meninos se tornavam bastante densos, enquanto outros ficavam bi-dimensionais. Por isso foi importante trabalhar (e retrabalhar) tanto tempo no livro. Pude rever o texto várias vezes, me concentrar mais nos meninos que estavam abandonados. Acho que consegui dar um certo equilíbrio – embora ainda existam meus favoritos, claro, e eu até assumo e brinco com isso no livro - aliás, eu não, a narradora, porque existe uma narradora no livro, que aparece bem vagamente, no final do livro, como personagem.



- Li o início do livro em seu blog. Poxa, é viagem minha ou tem ali uma referência a Kafka?

Referência não. Influência talvez. Ele é um dos meus autores favoritos, mas não pensei tão conscientemente nele neste livro quanto em Feriado de Mim Mesmo, por exemplo. A coisa dos insetos, do inseticida tem mais a ver com Burroughs. O começo do livro, com o menino emergindo do quarto como um inseto envenenado tem a ver com fatos que acontecem da metade para o final do livro, e que têm uma referência explícita de Naked Lunch. O livro todo tem muito essa coisa de inseto, como uma alegoria rastejante da degradação da pureza sendo consumida, formigas no açúcar, por aí.


- Verdade que você está escrevendo um livro de contos? Como é seu processo criativo?

Sim. Está bem encaminhado. Quis fazer um livro de contos para mudar um pouco o formato, tenho cinco romances... E também porque sempre me pediam contos para antologias, principalmente fora do Brasil, e eu não tinha mais o que mandar, não gosto dos meus contos antigos, não acho que estão à altura dos meus romances. Então decidi fazer um livro de contos, mas contos longos, porque esse é o ritmo narrativo em que gosto de trabalhar. Não sou um autor de concisão, de economia, gosto do exagero, e isso acaba se refletindo também no número de páginas. Os contos são como mini-novelas de 20, 30 páginas. Quero fazer uns 10 para o livro, já tenho metade disso. Os contos também têm uma unidade temática, têm todos uma aura sexual pesada e uma certa referência sobrenatural. Basicamente, são contos sobre sexo e morte.

- E a história de um livro infanto-juvenil? Rola isso também, em que pé está esse projeto?

O juvenil também está bem encaminhado. Mas tenho me dedicado mais ao livro de contos atualmente, preciso voltar a ele. Está com a Record, deve sair ano que vem. É um livro para adolescentes, bem soltinho, despirocado, nada careta.

- Você recebe muito material inédito de gente pedindo avaliações e sempre recomenda os concursos litériarios. É a saída mesmo? Mas e a lisura da coisa?

Não é a saída porque não há saída. Literatura não é a solução, ou melhor, a publicação não é a solução. O principal é a pessoa gostar de escrever, fazer isso por prazer; se dará certo como escritor profissional é outra coisa, que não depende só de talento. Muita gente publica, até por boas editoras, mas não faz a menor diferença porque o livro não vende, não é resenhado, o autor praticamente volta a ser inédito. Então essa tentativa desesperada de publicar como uma salvação é discutível. Eu mesmo relutava em procurar editora, tentar publicar, porque achava que o livro até podia sair, mas que não faria diferença. Achei que participar do concurso (Fundação Conrado Wessel) seria uma alternativa, talvez para o livro sair com um aval a mais. Para mim funcionou – e claro que houve toda uma batalha minha por espaço na imprensa – então recomendo isso a quem me escreve.

- Um Jabuti na estante ainda dá status? Ganhar prêmio é algo que te estimula?

Bem, é o prêmio literário de maior prestígio no Brasil. Mas a questão não é nem tão essa; por ser um mercado tão restrito não há espaço para outros prêmios, outros tipos de prêmios, outro tipo de literatura. Eu realmente não vejo sentido em concorrer com Milton Hatoum ou Chico Buarque por um prêmio – e não é por humildade nem soberba. O que eu estou fazendo não tem nada a ver com o que eles estão fazendo. É outro universo, outra forma de arte até. Claro que adoraria ganhar um Jabuti, mas não acho que tenho perfil pra isso - meu livro tem zumbis!

- Qual é a sua grande viagem na literatura?

Eu tenho prazer em criar histórias, personagens, conviver com eles diariamente, por isso o formato romance. A literatura me dá a oportunidade de materializar um universo interno, íntimo, ideal. É brincar de ser Deus, não é? Não pode ser melhor do que isso.